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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Morrighan

Quando acordei da anestesia, meu corpo se contorcia em dor. Era para ter sido rápido, era para ter sido simples ... não foi. Cinco horas e muito sangue perdido depois, a dor gritava.
Eu não. Não articulava uma palavra, respirava mal e não sabia ser possível tanta dor.
Ouvia a enfermeira dizendo 'ela acordou' e ouvia o médico proibindo analgesias. 'A pressão dela está muito baixa; pode fazer coma'.
Não sei quanto tempo se passou até alguém lembrar de transfusão de sangue.
O sangue entra cortando as veias; é muito mais espesso do que soro e te faz sentir sua passagem a cada centímetro.

Foi nesse ínterim que Ela apareceu. O Grande Corvo.
O Corvo planava tão baixo que podia sentir seu hálito de morte.
Ela questionou: "Não querias ver Minha face de perto? Aqui estou!"
"Te vejo e Te sinto, Mãe", eu respondi.
A dor gritava, o corpo mal respirava e os médicos falavam na pressão que não subia.
"Não pensei ser digna dessa honra, Mãe. Ser levada por Ti, eu que nem guerreira fui. Fui apenas ousada, usando Teu nome no meu."
"Mãe, me dá alguns minutos? Tem gente que eu preciso perdoar, tem gente pra qual eu preciso pedir perdão"
Ela não respondeu. Apenas ficou ali, sobre mim, suas grandes asas negras.
Perdoei a quem achava que precisava ser perdoado, pedi perdão a quem feri.
Por fim, sem temor algum, disse à Ela: "Estou pronta Mãe, pode me levar"
E eu, que nem sabia ser digna da presença Dela, pensei: "é uma honra ser Tua filha, e a maior honra que um filho Teu pode receber é ser levado por Ti".
Seus olhos negros fitaram no fundo dos meus. Fechei os olhos, sem me perguntar para onde Ela me levaria, quando ouvi novamente Sua voz: "Ainda não é tua hora. Vive e honra Meu nome".
A transfusão de sangue começava a fazer efeito.
E eu, filha ingrata, quase esqueço de escrever essas palavras.

Blessed be, Morrighan