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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

LUA, MÃE LUA



Guardião dos sonhos vindouros
Mãe da noite estrelada
Mostra-me como viver minha verdade
E traga clareza aos meus sonhos

Ensina-me como usar minha vontade
Vivenciando a verdade eu me encontro
Descobrindo todas as partes de mim mesma
Onde a Luz e a Sombra se mesclam

Permita-me entoar a canção do futuro
aquela que fale do porvir
Sustentando todas as leis da Natureza
Para as criaturas, pedras e árvores

Mãe, eu lhe percebo no sol,
E eu a escuto na chuva que cai,
Você me ensina a sabedoria interna
através do doce refrão do seu coração



PLENILÚNIO ÁRIES, SOL EM LIBRA

Áries, o primeiro signo do zodíaco, é um signo de fogo, regido por Marte. Representa os inícios, nascimentos, pioneirismos e iniciativas. Possui muita coragem, criatividade e poder de decisão. Tem espírito combativo e guerreiro e é um grande desbravador sempre pronto a trilhar novos caminhos, a desafiar a si mesmo e a vida e se lançar em aventuras. É forte, decidido, independente e original. Na roda zodiacal, nada vem antes dele, o que faz com que siga apenas seus instintos e intuição.
Por outro lado, sua veemência pode torna-lo agressivo e rígido, bravo e irritado. Seu espírito competitivo, em excesso, pode afastá-lo de outras pessoas e suas iniciativas, se impensadas, podem resultar em situações complicadas.

Libra é um signo de ar, regido por Vênus e, quando próximo ao equinócio de primavera o sol entra nesse signo, nos encontramos no ponto médio do zodíaco, quando dias e noites são iguais. É representado por uma balança com seus dois pratos e propõe o justo, o caminho do meio, impulso e contentamento, espontaneidade e reflexão, atração e repulsão de forças contrárias. Moderação, equilíbrio e harmonia são características de Libra, assim como o refinamento, a beleza, a inteligência do elemento ar e a natureza sutil da ponderação.
Por outro lado, é justamente nesse poder de atração que Libra exerce o encantamento sobre o outro para que o outro permaneça próximo, ao seu lado, cultuando-o como a melhor das companhias.

A combinação de um signo masculino regido por Marte com outro regido por Vênus ressalta, ao mesmo tempo, a oposição e a complementação das polaridades: combate e conciliação, eu e o outro, imposição e diplomacia, dar e receber.
Essa polaridade favorece a busca pelo equilíbrio nos relacionamentos, procurando meios adequados para estabelecer igualdade e harmonia, sem sobrecarregar nenhum dos pratos da balança. É o momento de buscar o caminho do meio entre a agressividade de Marte e a passividade de Vênus.



LUA DA TEMPESTADE

Embora tenha adotado sempre o termo Lua da Semente pela proximidade com o equinócio de primavera, resolvi adotar para essa fase o termo Lua da Tempestade em ‘homenagem’ aos temporais que tem assolado o Rio Grande do Sul nas últimas semanas. A lua cheia de setembro também é chamada de Lua dos Ventos, Lua das Seivas, Lua do Arado.

No calendário lunar, é tempo de ritos de iniciação mágica, encantamentos de fertilidade para gravidez e plantio simbólico dos sonhos e projetos.

COLL

O nono signo que compõe o calendário celta, Beth Luis Nion.
A energia desse plenilúnio corresponde ao signo da Aveleira, Coll.
A energia do plenilúnio anterior era a do carvalho; a desse, a do azevinho.  A aveleira é uma árvore pequena e muito produtiva e os frutos que vão se formando, se agrupam no número sagrado da Deusa Mãe.
Na mitologia celta, a árvore cresce sobre um lindo arroio que flui transparente e as avelãs que caem servem de alimento ao salmão, símbolo do conhecimento das artes e da ciência.
Nas lendas, um lindo jovem se senta na borda do arroio, enquanto que uma caçadora se mantém erguida, esperando para pescar um esplêndido salmão. O masculino e o feminino próximos nos remetem à Marte e Vênus.
O número nove de Coll é um número bárdico e se relaciona a Deusa pois é múltiplo de três. As aveleiras davam frutos a cada nove anos.
O aveleiro é também o nome de um deus – Mac Coll (filho do aveleiro), um dos primeiros governantes da Irlanda. Com seus irmãos, Mac Ceacht (filho do arado) e Mac Greine (filho do Sol), celebra um casamento tríplice com três deusas irlandesas: Eire, Fodha e Bandha.
Coll também se relaciona a ametista e a verbena.




A Mulher do Sol Poente - Matriarca da Nona Lunação

A Mulher do Sol Poente é a guardiã dos sonhos e objetivos. Nos mostra como usar nossa vontade para assegurar a abundância no futuro, e que o desejo de viver e a vontade de ser impecável com a Mãe Natureza são partes essenciais de nosso caminho terrestre.
Nos ensina a sacralidade de usar cada parte de tudo que semeamos nunca perdendo qualquer coisa útil. Também nos ensina como nos interiorizar e encontrar as verdades pessoais, como alcançar o futuro sem receio.
A escuridão do céu noturno é o cadinho curador celestial ou caverna no princípio feminino que contém o potencial do futuro. As estrelas são pontos de luz que representam o fogo sagrado de nossos sonhos.
Quando encontramos nossas verdades pessoais na escuridão de nossos interiores, nós determinamos qual visão ou sonho materializamos.
A descoberta de nossos mundos interiores nos ensina que não somos simplesmente nossos corpos, mas que somos seres vastos.


Bibliografia:
The Celtic Lunar Zodiac - Helena Paterson
The 13 Original Clan Mothers – Jamie Sams
Livro Mágico da Lua - D. J. Conway
Mara Barrionuevo  - jornal O Exotérico, edição maio de 2002

                                       E A SUPER LUA DE SANGUE?


Como acontecem os Eclipses Lunares

Como sabemos, a Lua orbita a Terra, e durante sua trajetória acontecem as fases da Lua. Quando a Lua está entre a Terra e o Sol, temos a fase nova, e quando a Terra está entre a Lua e o Sol, temos a Lua Cheia. De tempos em tempos, quando a Terra está entre a Lua e o Sol (Lua Cheia) o nosso planeta projeta sua sombra na superfície da Lua por conta de um alinhamento, e isso faz com que a Lua Cheia fique escura por alguns minutos. Já o eclipse solar acontece quando a Lua projeta sua sombra na Terra, ocultando o Sol e fazendo o dia virar noite.


Fases de um Eclipse
O eclipse lunar total, como é esse caso, é composto de duas fases: a penumbral e a umbral. A sombra da Terra tem um halo externo mais tênue, a penumbra, e uma parte bem mais escura ao centro, a umbra. Como o eclipse é total, a Lua vai mergulhar totalmente em ambas durante seu trajeto no céu.
Durante a fase penumbral, a Lua escurece um pouco e às vezes até passa despercebido de tão sutil. Apenas observadores mais atentos conseguem distinguir o começo dessa fase, quando a borda da Lua toca a penumbra da Terra, mas conforme ela vai se deslocando sobre ela, o escurecimento fica mais evidente.

A segunda fase é a umbral. Aí sim fica evidente que a Lua está sendo coberta pela sombra densa da Terra. Quando há o primeiro toque da borda da superfície lunar com a umbra,  parece que ela perdeu um pedaço de tão escuro que fica e conforme a sombra avança, o pedaço aumenta junto. Quando a Lua estiver completamente coberta pela umbra, começando a fase de totalidade e vai ficar bem evidente a mudança de sua cor, pois ela deve ficar um tanto mais alaranjada.

Mesmo quando a Lua está mergulhada na umbra da Terra, um pouco da luz do Sol consegue atingi-la, após atravessar a atmosfera da Terra. O efeito de mudança da cor tem a ver com o estado da atmosfera terrestre. A luz, ao atravessa-la, vai ser influenciada por tudo que ela contém. Logo de cara, a pouca luz que chega na Lua vai ser um pouco alaranjada, simplesmente por que a parte azul dela é muito espalhada pela nossa atmosfera. Por isso o céu é azul. Mas se ela estiver carregada com particulados como poeira e, principalmente, cinzas vulcânicas, esse efeito é acentuado e praticamente apenas luz vermelha vai atingir a Lua. Recentemente tivemos duas erupções vulcânicas intensas que lançaram cinzas na alta atmosfera. Nessa região de altitude elevada, as cinzas podem circular por anos antes de caírem de volta ao solo, de modo que espera-se que esse efeito de avermelhar a Lua seja bem destacado nesse eclipse.
A fase da totalidade dura até o momento em que a Lua começa a sair da umbra e volta a mergulhar na penumbra. Essa fase deve durar um pouco mais do que 1 hora e 10 minutos e durante esse tempo a Lua deverá estar mais obscurecida e avermelhada, dependendo da situação da atmosfera terrestre.

Existe uma escala proposta pelo astrônomo francês Andrés-Louis Danjon para quantificar o grau de escuridão que a Lua atinge nesses momentos de eclipse total. A escala de Danjon varia de 0 (muito escuro, quase invisível) até 4 (muito claro, cor alaranjada). Essa escala é bastante arbitrária, mas ela ajuda a revelar o grau de sujeira suspensa na atmosfera de acordo com o brilho e a cor da Lua.
Finalmente o eclipse termina quando a Lua toda sair da penumbra , que deve acontecer às 02:22 da madrugada de segunda feira. Se você não pode se dar ao luxo de ficar acordado até duas da matina em plena segunda feira braba, tente ao menos ver a Lua atingir o ápice do eclipse e dura pouco mais do que uma hora.


A Super Lua na noite do Eclipse Lunar

Na mesma noite que acontece o Eclipse Lunar, teremos também um segundo evento astronômico. Chamado de Super Lua, ele acontece quando a Lua está no seu ponto mais próximo com a Terra (perigeu). Conforme a Lua orbita a Terra, ela se afasta e se aproxima, dependendo da época. Muitas vezes a Lua chega nesse ponto mais próximo durante a fase minguante, ou crescente, por exemplo, mas quando coincide da Lua estar em seu ponto mais próximo justamente no dia da Lua Cheia, ela fica consideravelmente maior no céu.
O momento em que a Lua fará sua máxima aproximação com a Terra estará a menos de uma hora do momento da Lua Cheia e do Eclipse.

Fontes:

vercalendario.info
galeriadometeorito.com
g1.globocom/ciência-e-saude

Imagens da web

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

HÉCATE E 13 DE AGOSTO



Supersticiosos, tremei!

Agosto, mês do desgosto, de cachorro louco, gato preto, de Sabá de Feiticeira, da deusa Hécate e de lua nova escondendo voo de Bruxa.
13 de gosto promete ser um dia daqueles, cheio de mistérios e significados ocultos. Se você é do tipo supersticioso, coloque uma ferradura atrás da porta, plante salva e alecrim e carregue sempre seu amuleto de pé de coelho (que não protegeu o pobre do coelho, que acabou perdendo o pé).

Nesse ano - que sorte a sua!, 13 de agosto não cai numa sexta-feira de Lua Nova. Hoje é quinta-feira, e de Lua Negra. Ops, como assim?
O período da Lua Negra compreende três dias, incluindo o que precede e o que antecede a Lua Nova. Então, esse 13 de agosto, dia da Deusa das Bruxas - ó céus, acontece sim numa Lua Negra.
Mas deixemos pra lá as estórias da carochinha e vamos falar sério?

HÉCATE

O nome Hécate deriva, provavelmente, da egípcia Heket, uma deusa com cabeça de rã associada ao estado embrionário do grão em decomposição que, em breve, começaria a germinar. Heket era também uma “parteira” que assistia ao nascimento do sol a cada amanhecer. A seu nome é também associada à raiz Eka/th – o mesmo epíteto de Ártemis, deusa com a qual é associada. O nome Hécate significa "a que fere à vontade" ou “aquela que age como lhe apraz".
A conexão com o nascimento vem de sua origem como Heket, mas posteriormente o mito helênico a chamou de “impura” pelo contato com o sangue dos recém-nascidos.

Hesíodo, na Teogonia, diz que Hécate é filha dos Titãs Asteria e Peres. Asteria era irmã de Leto, a mãe de Ártemis e Apolo. Uma tradição mais antiga diz que Hécate é filha de Erebo e Nyx, a noite; tradições posteriores atribuem à Zeus e Hera.
Os gregos helênicos incorporaram essa antiga Deusa ao seu panteão, assim como o fizeram com inúmeros outros deuses, tal como Afrodite, originalmente uma deusa guerreira do mediterrâneo. Apesar de fazer parte do Olimpo, Hécate estendeu seus domínios pelo céu, terra e submundo.
O próprio Zeus valorizava tanto a Hécate que teria lhe concedido o poder de dar ou negar aos mortais o que lhe pediam, incluindo riquezas e bênçãos.
Hécate é uma Deusa associada à adivinhação e previsão do futuro. Concede aos seus seguidores sonhos e visões que, se corretamente interpretados, possibilitam ver com maior clareza seu caminho.
Na Grécia, Hécate era uma deusa lunar, uma das trindades originais conectada com as três fases da lua. Era também a padroeira das parteiras, do nascimento, da fertilidade, da magia, das riquezas e da educação. Como anciã e parte de uma trindade, é associada à Perséfone (Donzela) e Deméter (Mãe) ou ainda simboliza a força escura da lua, enquanto que Ártemis é associada à lua crescente e Selene à lua cheia.
Essas três Deusas também simbolizam o céu – Selene, a terra – Ártemis e o submundo – Hécate.
Em sua associação com Perséfone, bem como com a egípcia Heket, está conectada com a morte e regeneração. Sua presença no mundo subterrâneo permitia aos pré-helênicos a esperança do renascimento e da transformação, oposta a Hades, que representava unicamente a morte.
No submundo Hécate era também conhecida como Rainha dos Mortos. Enviava seus demônios a terra para atormentar os humanos e aparecia com seus cães em encruzilhadas, túmulos e locais onde crimes haviam sido cometidos.
Hécate, acompanhada de uma matilha de 50 cães de caça ou por Cérberos, cão de três cabeças, é adorada onde as estradas se cruzam ou em locais onde haja uma cruz no caminho, especialmente em noites de lua nova. A esses lugares os gregos levavam estátuas de três rostos, chamadas Hecatea e as ofereciam juntamente com banquete ritual. Os viajantes ofereciam sacrifícios à Hecate para que essa os protegessem durante suas viagens.
Cérbero era a contraparte grega de Anubis, o deus com cabeça de cachorro, filho da deusa da morte, Neftis, que levava as almas ao submundo.

Com sua matilha de cães negros, Hécate visitava os túmulos a fim de levar as almas ao submundo. No submundo, Hécate é aquela que leva os mortos ao caminho que lhes é destinado: os que desafiaram aos Deuses Hécate conduz ao Tártato; os que não são bons nem maus, leva as pradarias de Asfódelos e os virtuosos leva aos Campos Elíseos. Hécate é também encarregada da regeneração das almas. É sua guardiã e mestra e as instrui nos ritos ocultos e mágicos, preparando-lhes para a reencarnação.
Com frequência a Deusa aparece com três cabeças: leão, cachorro e égua ou cachorro, serpente e leão. O Hectaraerion, pilar de Hécate, possui três cabeças e seis braços portadores de três tochas e três símbolos sagrados: a chave, a corda e a adaga (posteriormente transformada no athame)

Foi durante a Idade Média que Hécate passou a ser conhecida por Arpia ou Rainha das Bruxas, e teve seus poderes associados à magia negra. Para as autoridades católicas da época, as pessoas mais perigosas eram aquelas que tinham Hécate como protetora: as parteiras, curandeiras e videntes. Em nome da “purificação” da igreja, milhares de pessoas foram torturadas e queimadas na Europa medieval, 80%  delas, mulheres.
Hécate é a Deusa profética, de visão clara e conhecimento da magia e das artes ocultas. Nas encruzilhadas, é capaz de ver claramente o passado, o presente e o futuro.
Os rituais de Hécate são celebrados nas horas mais escuras e seus seguidores se reúnem para estudar a sabedoria oculta, a adivinhação, a magia, o tarô, o uso de ervas medicinais e incensos.
Na grande magia das transmutações, Hécate nos ajuda a equilibrar a escuridão do inconsciente, povoado de temores e fantasmas, com nossa imensa reserva de energias criadoras. É a tocha de luz da Deusa nos mostrando o caminho do futuro.


AGOSTO E O NÚMERO 13

O mês de agosto e o número 13 têm sido cercados por inúmeras superstições, algumas delas derivadas de fatos históricos.

Em agosto do ano 79 d.C , Pompéia foi engolida pela maior erupção do Vesúvio. Foi também em agosto de 1572 que Catarina de Médici banhou a França de sangue, mandando à morte cem mil protestantes, na famosa e terrível noite de São Bartolomeu.

A Primeira Guerra Mundial teve início em agosto de 1914 e, em agosto de 1945, as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram devastadas pela bomba atômica.

Há exatos 54 anos – 13 de agosto de 1961, se iniciava a construção do Muro de Berlim, que separaria por quatro décadas a Alemanha.

No Brasil, agosto não foi um bom mês para seus governantes. O suicídio do Presidente Getúlio Vargas, a renúncia do Presidente Jânio Quadros e a morte de Juscelino Kubitscheck aconteceram nesse mês.

Na antiga Roma, os incêndios de agosto não eram atribuídos ao calor do hemisfério norte, mas ao dragão que pairava sobre a cidade. Na Argentina, agosto é ainda o mês do cachorro louco.

O número 13 também não é visto com bons olhos. Jesus teria sido morto numa sexta-feira 13, depois de se reunir com seus apóstolos para a última ceia.

São 12 os meses do ano, as tribos de Israel, os apóstolos do Cristo e os signos do zodíaco. Portanto, sendo correto o 12, o 13 gera desequilíbrio.

No Tarô, 13 é o Arcano da Morte. Alguns autores temiam tanto a esse Arcano que não o nomeavam.
Na mitologia, 13 de agosto é dia de Hécate e de Ártemis, e é também o dia do nascimento da deusa babilônica Ishtar.

Hino a Hécate (Teogonia, vv.404-452)
HINO A HÉCATE
(HS,405-440)
"Febe entrou no amoroso leito de Coios
e fecundou a Deusa o Deus em amor,
ela gerou Leto de véus azuis, a sempre doce,
boa aos homens e aos Deuses Imortais,
doce desde o começo, a mais suave do Olimpo.
Gerou Astéria de propício nome, que Perses
conduziu um dia a seu palácio e desposou,
e fecundada pariu Hécate a quem mais
Zeus Cronida honrou e concedeu esplêndidos dons,
ter parte na terra e no mar infecundo.
Ela também do Céu constelado partilhou a honra
e é muito honrada entre os Deuses Imortais.
Hoje ainda, se algum homem sobre a terra
com belos sacrifícios segundo o rito propicia
e invoca Hécate, muita honra o acompanha
facilmente a quem a Deusa propensa acolhe a prece;
e torna-o opulento, porque ela tem força.
De quantos nasceram da Terra e do Céu
e receberam honra, de todos obteve um lote;
nem o Cronida violou nem a despojou
do que recebeu entre os antigos Deuses Titãs,
e ela conserva seus dons da primeira partilha.
Nem porque filha única, menos partilhou de honra
e de privilégio na terra, no céu e no mar
e mais ainda , porque Zeus a honrou.
A quem quer , grandemente dá auxílio e ajuda,
no tribunal senta-se junto aos reis venerandos
na assembleia do povo, distingue a quem quer,
e quando se armam para o combate homicida
os homens, aí a Deusa assiste quem quer
e propícia concede a vitória e oferece-lhe glória.
Diligente quando os homens lutam nos jogos
aí também a Deusa lhe dá auxílio e a ajuda,
e vencendo pela força e vigor, leva belo prêmio
facilmente, com alegria, e aos pais dá gloria.
Diligente entre cavaleiros assiste a quem quer,
e aos que lavram o mar de ínvios caminhos
e suplicam a Hécate e ao troante Treme-terra,
fácil e gloriosa a Deusa concede muita pesca
e sem dificuldade também ela , a arrebata deles,
no momento exato, conforme seu animo.
Diligente no estábulo com Hermes aumenta
o rebanho de bois e a larga tropa de cabras
e a de ovelhas lanosas, se o quer o seu ânimo,
de poucos avoluma-os e de muitos faz os menores.
Ainda que unigênita de mãe,
entre Imortais é honrada com todos os privilégios.
O Cronida a fez protetora da juventude que depois dela
viram a claridade da Aurora que cintila para numerosos olhos.”

Superstições e medos à parte, vamos honrar Hécate hoje?

Imagens da web

Referências bibliográficas:

The Dark Goddess -Marcia Starck & Gynne Stern

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinsky

Mitos e Tarôs - Dicta e Françoise

Hino a Hécate (Teogonia, vv.404-452)


interpretação e textos - Mara Barrionuevo

domingo, 2 de agosto de 2015

DIA MUNDIAL DA DEUSA PORTO ALEGRE


O projeto Dia Mundia da Deusa nasceu em 2014 e seu objetivo é conceder à Grande Mãe do mundo um dia de visibilidade onde seja possível compartilhar seus muitos mitos, histórias e diversidade de culto para que todos se lembrem ou tomem conhecimento de que a primeira religião da humanidade foi o culto à Deusa.
Em Porto Alegre, vamos comemorar esse dia honrando as múltiplas expressões e manifestações do Sagrado Feminino, numa tarde festiva, alegre e lúdica.
(clique em "Dia Mundial da Deusa" para conhecer o site)

PROGRAMAÇÃO

13h00 – Recepção dos participantes – Parque Marinha do Brasil
Av. Borges de Medeiros, 2713, no círculo das árvores
(ao lado do prédio da Secretaria Municipal dos Esportes - em frente ao Praia de Belas Shopping)
*Disponibilização de argila e tintas para confecção de uma imagem de Gaia
*Disponibilização de material impresso – Cantos para a Deusa
*Recebimento de doações e distribuição de números para sorteio de brindes (as doações serão recebidas ao longo de todo o evento)

13h30 – Palestra: A Religião da Deusa – origem e cultos 
Mara Barrionuevo​

14h00 - Danças Circulares Sagradas 
Focalizadora: Miriam Tlaija

14h45 - Palestra: A Questão Ambiental - Algumas Reflexões 
Dr. Sérgio Pessoa Ribeiro – Instituto Venturi

15h30 – Danças Ciganas 
Zingara Ponce / Kumppania Bartale

16h00 - Intervalo
*Confraternização
*Construção da imagem de Gaia para  Ritual de Encerramento
* intervenção: Danças Celtas com Selenna Molim

17h00 – Vivência: Mulheres em Círculo – Resgatando o Sagrado Feminino 
Mara Barrionuevo e mulheres do Círculo da Lua Negra
17h00 - Vivência - Homens em Círculo - Espiritualidade masculina
Therion Akkad

17h45 – Mulheres e homens em canto e dança 
*O resgate interior das crianças de Gaia

18h00 – Ritual de Encerramento 
*A Carga da Deusa 
*Mitodrama: O Casamento dos Deuses e o nascimento de Aradia
*Cantos para a Deusa e Dança Espiral

ATIVIDADES PARALELAS
* Recreação Infantil – Orientadora: Daniele Donfandi
* Arrecadação de doações de leite integral e fraldas descartáveis geriátricas tamanho GG para o Lar de Santo Antonio dos Excepcionais (http://www.larsantoantonio.com.br/)

O QUE TRAZER
Canga, manto ou almofada para sentar
Alimentos, bebidas e copos descartáveis para confraternização


Os brindes sorteados serão oferecidos pelas empresas Aromatum, Confraria dos Livros e Substrato da Pele

Coordenadora local: Mara Barrionuevo
Fones: (51) 9777.1039 / 8658.9899
circulo.da.lua.negra@gmail.com

https://www.facebook.com/mara.barrionuevo.5
https://www.facebook.com/groups/childenofmorrighan/
www.the-cauldron-of-the-goddess.blogspot.com.br
www.worldgoddessday.com

sábado, 4 de julho de 2015

BRUXARIA - UMA JORNADA PELA ANTIGA RELIGIÃO


No finalzinho desse texto, você encontrará todas as informações sobre nossa jornada. Espia lá.

PARA ONDE VAMOS?

Nossa jornada inicia no dia 11 de julho, sábado. Nela iremos seguir os passos de nossas ancestrais, buscando num passado pré-histórico e trazendo para o presente o conhecimento e a magia da religião da Grande Mãe, que ressurge hoje em todos os cantos do planeta.
Em muitos momentos, mitos, lendas e história andarão de mãos dadas em nossa jornada, para que tenhamos a compressão desse todo que forma o que chamamos de Antiga Fé.
Nos encontraremos com a raça mítica dos Tûatha-Dé-Dânnan, sua religião, seus Deuses e os talismãs sagrados, que sob outras denominações, ainda fazem parte de nossos instrumentos mágicos. Convidaremos os povos celtas para nos contarem sobre seu encontro com as crenças nativas da Grã-Bretanha e seus ritos, e como suas tradições se fundiram numa só religião, formando a base do neopaganismo.
Iremos girar pela Roda do Ano e seus festivais, pela Roda da Lua e seus Rituais. Visitaremos os Quatro Portais e neles vamos aprender suas inúmeras correspondências, seus pentagramas de invocação e banimento e procurar por nossos Guardiões nas quatro direções.
Vamos aprender sobre Ritos, Círculos, Altares, Ferramentas, o uso das ervas, das velas, dos cristais e a usar o calendário solar e lunar a nosso favor. Entender as Dimensões Ocultas – que é onde a magia acontece, e os universos paralelos dos elementais.
Vamos tecer cordas e colares e criar unguentos, pós e talismãs sobre nossos altares.
Esse é apenas o começo da história, mas vamos caminhando e aprendendo, experimentando e tecendo, ritualizando e ofertando nosso amor e dedicação aos Deuses.
Nossa jornada se fará através de teoria e prática, vivências e ritos, encantamentos, trabalhos artesanais, canto, dança e partilha. Tudo, com muito amor e magia, ao longo de seis meses.

No final, os que assim desejarem poderão solicitar ingresso no Círculo da Lua Negra como Aprendizes, e conosco aprofundar seus estudos e práticas. Mas isso é uma outra história e será contada numa outra oportunidade.

Por enquanto, te convido a caminhar, aprender e ensinar, ritualizar e dançar a dança da vida que nos torna unos com os Deuses Antigos.



Abençoados sejam!

d

Informações:
  
aPalestra aberta: 07 de julho às 19hs. Nela, vamos conversar sobre o conteúdo de nosso trabalho
a Local: Av. Borges de Medeiros, 308/35 – Centro – Porto Alegre
a Fones: (51)  9777.1039 (Vivo) 8695.9899 (Oi)
a A primeira turma já está formada, mas ainda temos vagas nela
   Inicio das aulas no dia 11 de julho, sábado, das 10hs às 12h30. 
a Uma segunda turma poderá ser formada em dias úteis, a noite  
a Vagas limitadas – confirme sua presença em nossa palestra através do e-mail circulo.da.lua.negra@gmail.com ou inbox

a Nossa caminhada: encontros semanais de julho a dezembro
a Investimento: inscrição 80,00 + 6 parcelas mensais de 80,00
    aaos que desejarem participar dessa jornada: a inscrição deverá ser feita no        final da palestra

Com amor

sábado, 21 de março de 2015

Ritual de Reconsagração do Ventre



Nosso útero é o caldeirão de gestação, transformação e poder da Deusa: é nele que gestamos a humanidade do futuro, mas é também nele que guardamos a memória energética de nossos encontros íntimos, felizes ou não, dores físicas e emocionais, abortos e possíveis abusos.
Ao reprimirmos as dores, abafamos o potencial gerador e criativo do ventre, que vai muito além da gravidez física, afetando nossa saúde emocional, mental e espiritual.
O ventre é a fonte interior potente para a criação e ancoramento de todos os nossos projetos e criações. Através dele é que poderemos parir novas consciências, nos curar física, emocional e espiritualmente e estender essa cura aos nossos filhos, nossos companheiros e a todos os que estão em volta de nós.
A mulher moderna precisa reconhecer seu poder e honrar seu útero sagrado. O útero é o Cálice da Criação, o caldeirão de gestação de todas as suas criações.
Através do útero geramos não apenas as crianças do futuro. No útero encontra-se nossa capacidade de dar vida a tudo, gestando com cuidado nossos sonhos.

Façamos de nosso poder criador o grande caldeirão da existência.

Programa:
O Mistérios Femininos
* O sangue os Mistérios Femininos
* Donzela, Mãe, Anciã - o poder Ancestral do Sangue
* Menarca, Menstruação, TPM, Climatério, Menopausa
* A Dádiva da Curadora - seu sangue é ouro
* A Dádiva da Criadora - O sangue e as fases da lua
* O Diário, o Jarro e a Sacola Menstrual
* Limpeza de energias estagnadas
* Gestando o Futuro
O Ritual de Reconsagração do Ventre

Quando: 18 de abril, sábado, das 10hs às 18hs 

Focalizadora: Mara Barrionuevo
uma parceira com Ordem Walonom

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Plenilúnio em Touro - Sol em Escorpião

Trabalhando com a Sombra



Touro 



É o símbolo da produtividade e persistência, do ritmo lento e decidido. É o primeiro signo do elemento terra, muito ligado às sensações físicas. A regência de Vênus dá aos taurinos afetividade, sensualidade e uma certa indolência. Signo que representa a busca de estabilidade e segurança, com tendência à possessividade e acumulação, o que gera dificuldade com as mudanças. Touro prefere os caminhos seguros e conhecidos.
Touro tem a função de estabilizar as conquistas e os caminhos abertos por Áries, e por isso mantém os pés bem firmes na terra, aguentando com paciência o que muitos outros abandonam pela metade.
Quer uma vida simples, que pode chegar ao conformismo, pois é um signo um tanto preguiçoso na hora de mudar. É ele quem tem o papel de concentrar, nas realizações terrenas, todo o impulso e o desejo iniciados por Áries. Para fazer isso, só mesmo sendo muito ligado nas coisas da terra. Um ser sensual por excelência, Touro compreende a beleza, aspira a ela e tem a obstinação necessária para superar todos os entraves à realização, no mundo concreto, de uma ideia, projeto ou inspiração. Daí, Touro torna-se teimoso, turrão, tem de levar à frente um projeto, de qualquer jeito.
É fácil compreender que, se o objetivo básico do Touro é realização e consolidação, é só a partir do valor que reconhece em algo que se torna capaz de se esforçar para realizá-lo. Daí que a palavra "valor" é mágica para Touro. Sem vislumbrar o valor de um projeto, ele pouco se anima a sair de sua posição. Essa necessidade de descobrir o valor de tudo está na base de sua preferência amorosa, profissional e existencial. Mas quando percebe o valor de algo – e isso implica em fazer uma escolha entre mil outras possibilidades – vai até o fim.
Para fazer isso, precisa ter um apuro e um refinamento com a natureza, uma intimidade com as formas da realidade que o torna alguém que conhece os meios corretos para tornar o que faz digno da admiração alheio. Confiável e sólido, sabe fazer frutificar algo belo. Uma das características do Touro é ter “boa mão para plantar”, um dos indícios evidentes de um dom que pode se manifestar em muitas outras áreas de sua vida.
Características: paciência, persistência, sensualidade, busca de paz, praticidade, estabilidade, sentido da forma e estética, harmonia, beleza, acomodação, teimosia, obstinação, materialismo, ciúme, possessividade. O taurino motivado pelo afeto (ou pelo materialismo...) busca com muita dedicação os seus objetivos, mas deve perceber quando é necessário desapegar-se.

Escorpião



É o relacionamento aprofundado, pois é um signo da água, de fortes emoções. É a intensidade emocional, a paixão, o sexo, a necessidade de penetrar nos mistérios do ser humano e da vida, e o renascimento pessoal e dos relacionamentos.
A posse e a propriedade – do corpo, do afeto, dos bens – se manifestam com toda a intensidade neste signo que busca o propósito.  Quer conhecer o que está além e não se contenta com as aparências, pois pressente os recursos ainda não manifestos da força conjunta.
Daí, a tremenda capacidade do Escorpião revelar os segredos, traduzir as mensagens subliminares, "reagir com o estômago" a tudo o que ameace a estabilidade e a fixidez necessária para o cumprimento de um propósito. A atenção fiel que Escorpião dá a seus parceiros é prova disso, como também é a extrema fidelidade – a pior coisa que se pode fazer a ele é a traição.
Dinâmico, administrador de crises, para as quais sempre encontra soluções, detesta perder o controle dos fatos, da realidade, pois confia demais em sua intuição animal. Dizem que escorpião é um signo relacionado ao sexo e à morte e o paralelo é que o sexo em seu ápice é como a pequena morte que marca uma etapa além da qual, todos se transformam. Daí a necessidade de intensidade, de experiências transformadoras, a coragem de enfrentar as perdas e a grande paixão pelas ideias, pessoas ou causas que abraçam, nas quais mergulham até o fim para conseguir sua realização.
No amor, é a paixão intensa, a sexualidade sagrada, o mergulho de corpo e alma no outro a quem dá a fidelidade e o afeto, embora prefira saber onde pisa. Pode guardar certos segredos, porque no fundo teme perder o controle, mas tem sempre uma força capaz de virar um relacionamento que parece estar no fim para que ganhe nova vida. Nesse sentido, as "dores-de-cotovelo" do Escorpião são terremotos, nos quais afunda com toda a sua alma para depois renascer, mais sábio e mais forte.
Características: profundidade, magnetismo, sexualidade, envolvimento emocional, persistência, perspicácia, senso de pesquisa, intuição, desapego, reciclagem, capacidade de cura, desconfiança, inflexibilidade, obsessões, lutas de poder, controle excessivo, ciúmes e vingança. A regência de Plutão sinaliza que escorpião tem um potencial curador, pois está orientado para o âmago das experiências, os mistérios, o oculto, a sexualidade. Mas precisa se tornar amigo de seus instintos e emoções, para que estes não tenham poder destrutivo.
Seu elemento é a Água, sua pedra é a granada, seu metal é o ferro, sua cor é o vermelho-sangue e vermelho-arroxeado. Astro regente: Marte (tradicionalmente) e Plutão (modernamente)

Matriarca do Mês

Aquela que Anda com Firmeza
Mãe da inovação e da esperança, ensina o uso adequado da vontade e do poder para modificar circunstâncias da vida pela ação pessoal.

Calendário Lunar – Lua da Lebre

Tempo de ritos que buscam o caminho interior, de corrigir males por ventura provocados aos outros e exercitar o eu criativo.


Como trabalhar o plenilúnio

Embora opostos, Escorpião e Touro tem em comum algumas características negativas, como inflexibilidade, necessidade de posse e propriedade e o ciúme.  A combinação de ambos exalta o descontrole emocional, a necessidade de possuir e controlar.
Por isso, esse plenilúnio favorece a avaliação da “sombra”, pois Escorpião possibilita um profundo mergulho nos registros do subconsciente para descobrir e transmutar padrões compulsivos, obsessivos, rígidos e escravizantes de Touro.
A energia curadora, mística e transformadora de Escorpião e a tenacidade de Touro, juntas, nos possibilitam alcançar, como a Fênix, o renascimento do Eu.



Abandonar velhos hábitos, rever relacionamentos que não nos servem mais, livrar-se de resíduos emocionais dolorosos, confeccionar talismãs e amuletos, encantamentos para a saúde e prosperidade e ritos de passagem também são favorecidos por esse plenilúnio.

* imagens da web
* Bibliografia:
Livro Mágico da Lua - D. J. Conway
O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur
Ritual de Lua Cheia em Mystic Fair RJ por Mara Barrionuevo
Mara Barrionuevo para Jornal O Exotérico – Edição maio 2002

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Vikings - Os Guerreiros do Gelo


Vikings


Numa vizinhança bastante próxima ao Círculo Polar Ártico, no extremo norte do Velho Mundo, uma região deu origem a mitos e lendas sobre gigantes do gelo, kobolds e anões. Deu ainda à humanidade um de seu filhos mais brilhantes, Hans Christian Andersen, o famoso dinamarquês autor de inúmeras histórias infantis como A Pequena Sereia, O Patinho Feio e O Soldadinho de Chumbo.
Tal região, que de tão pequena possui área menor do que o estado do Mato Grosso,  é hoje conhecida como Escandinávia e compreende os países da Dinamarca, Suécia e Noruega. Mas não foram apenas as maravilhosas histórias de Andersen que fizeram a fama da Escandinávia. Muito antes dele, bravos guerreiros  já espalhavam pelo mundo a cultura dos marinheiros do gelo conhecidos como vikings.

Há 14 mil anos atrás esses guerreiros do gelo - muitas vezes divididos em grupos rivais - já começavam a avançar em direção ao norte do planeta na medida em que a imensa capa de gelo que cobria a região da Escandinávia ia desaparecendo. Fixando-se ali, passaram a conquistar progressivamente imensas regiões que a princípio incluíram a maior parte das Ilhas Britânicas. Cruzaram audaciosamente o Atlântico Norte a bordo de seus dracares,  barcos grandes e bonitos e povoaram regiões distantes como a longínqua Islândia a partir do ano de 825 e a Groenlândia em 985. Chegaram a aportar na América do Norte no ano de 992, cinco séculos antes de Colombo. A bordo de seus  estranhos e belos barcos de fundo chato, se deslocavam com uma habilidade e coragem assombrosas. Na Europa continental, os atrevidos guerreiros sitiaram Paris em 845 e saquearam sem parar França, Portugal, Espanha e norte da África. Conseguiram do rei Carlos da França no ano de 911 uma região inteira, à qual deram seu nome - a Normandia ou terra dos homens do norte e o reconhecimento de seu duque Rollon como o primeiro duque da Normandia. No apogeu de suas conquistas, anexaram ao reino escandinavo a Bretanha, a Normandia, a Sicília e a Rússia. Estabeleceram ainda comércio com Bizâncio, Pérsia e Índia, trocando peles, couro e minério por algodão, vinho e cereais.



Durante o inverno os vikings ficavam em casa cuidando das ovelhas. Somente no verão se afoitavam pelos mares, sem proteção para o neve ou o frio. E nessas ocasiões se revelavam destemidos guerreiros, de uma audácia quase insana.
Ao contrário da imagem que foi popularizada, os vikings não usavam capacetes com chifres nem eram brutamontes. Possuíam uma estrutura social bastante semelhante aos celtas, onde encontravam-se no topo da pirâmide os reis, na base os escravos e entre os dois estágios, os agricultores. Possuíam ainda um grupo à parte, os juizes - homens sábios da comunidade - que formavam o Parlamento, chamado Ting, responsável pelas principais decisões. O atual governo da Escandinávia, com sua monarquia parlamentar, tem raízes na organização social dos vikings. Provavelmente porisso a realeza nórdica em muitos aspectos sempre foi bastante diferente da britânica. A atual herdeira do trono dinamarquês, Margrethe II, é tataraneta do rei viking Gorm, o Velho.
A religião praticada pelos vikinks era rica em deuses rudes e violentos, correspondentes aos sonhos desses guerreiros. Ainda assim, exceto pela descrição de um templo situado em Uppsala, na Suécia, não existem vestígios de arquitetura religiosa além de alguns grandes túmulos cercados de pedras. Ao que parece, esse povo jamais sentiu necessidade de erguer templos ou locais de sacrifício, pois quando necessitavam reunir-se para a realização de assembléias ou sacrifícios o faziam sob árvores gigantescas, em geral o freixo. A explicação para esse fato parece basear-se na vida integrada com a natureza que o povo levava.


Além de não possuírem templos, não possuíam sacerdotes ou chefes religiosos de nenhuma espécie, nada semelhante a faraós, papas ou druidas. A “autoridade” religiosa era em geral exercida pelos anciãos ou guerreiros considerados mais sábios. Ainda assim, cada um rezava a sua maneira, normalmente dentro de sua própria casa e sem nenhuma doutrina precisa. Alguns possuíam estatuetas as quais dirigiam suas preces e pequenos sacrifícios e talvez porisso fosse grande a diferença religiosa entre os clãs.
Alguns escritores, como Michael Howard, afirmam terem existido entre os vikings rituais de iniciação nos Mistérios Odínicos (mistérios do deus Odin) onde o iniciado era pendurado num teixo. Odin era um deus pai viking ao qual a lenda atribui a descoberta das Runas, o alfabeto nórdico considerado mágico, com 24 glifos conhecido hoje por Futhark.

Anterior a esse alfabeto mágico, o povo germânico empregava símbolos talhados em rocha como forma de escrita, provavelmente relacionados aos cultos indo-europeus dedicados à fertilidade. Tais símbolos incluem figuras representando homens, animais, partes do corpo humano, armas, símbolos solares e suásticas, entre outros.
Entre suas crenças, provavelmente estava a da vida além da morte. Os incríveis barcos dracares eram muitas vezes convertidos em féretros sob os quais os nobres eram enterrados levando consigo jóias, roupas, calçados, instrumentos musicais, animais  e até mesmo escravos que deveriam permanecer servindo-os após a morte.
No decorrer de suas conquistas essas praticas foram desaparecendo. Os vikings foram tomando contato com o catolicismo até que no ano de 966 Harald do Dente Azul se batizou. A partir daí, os vikings foram pouco a pouco se convertendo ao cristianismo.

Ainda hoje a influência da mitologia dos navegadores vikings se faz sentir pela Europa, principalmente nas festividades e no calendário. Assim, a terça-feira é tuesday que significa o dia de Tyr, um dos deuses nórdicos. A quarta-feira é Wednesday, dia de Woden ou Odin e a sexta-feira é friday, dia da deusa Freya. Na Alemanha, a quarta-feira é donnerstag, dia de Donar ou Thor.
A tradição dos festivais de solstícios e equinócios para alguns historiadores é atribuída aos vikings e muitos afirmam que a Festa de São João, bem como muitas outras festividades cristãs tem como origem a Festa da Luz dos nórdicos. Nessas festividades, bem como nos calendários europeu e americano, sobreviveram a tradição e a mitologia desses destemidos navegadores do gelo que brindavam conquistas bebendo no crânio do inimigo. Skuld !


Deuses e Gigantes
A Criação

Conta a lenda viking que no começo não havia terra, céu ou mar, somente o vazio, Ginnungagap. Primeiros a surgir, os reinos de Muspell - o fogo e Niflheim - o gelo se espalharam. O ar começou a ficar morno e o gelo a derreter e tomar a forma do gigante Ymir, que era mau. Enquanto o gigante dormia começou a suar e de suas pernas e braço esquerdo nasceram três gigantes congelados, um feminino e dois masculinos. Depois disso o gelo derretido criou uma vaca chamada Audhumla, das tetas da qual fluíam quatro rios de leite que alimentavam Ymir. Audhumla se nutria lambendo o gelo salgado e lambendo desenterrou Buri que era forte e belo e tinha um filho chamado Bor. Bor casou-se com Bestla, filha de um dos gigantes gelados. Tiveram três filhos que por sua vez deram origem aos deuses e vikings: Odin, Vili e We. Odin e seus irmãos mataram Ymir e de tanto sangue afogaram-se os outros gigantes gelados, com exceção de Bergelmir e sua mulher. Da carne de Ymir fizeram a terra, de seus ossos e dentes as rochas e pedras, de seu sangue os rios e lagos. A terra foi feita em forma de círculo e para os gigantes deram o reino de Utgard. Para eles mesmos estabeleceram o reino de Asgard. Caminhando pelo oceano recém criado, Odin e seus irmãos viram dois troncos. Odin lhes deu respiração e vida, Vili cérebros e sentimentos, We lhes deu audição e visão. Criaram assim o primeiro homem, Ask e a primeira mulher, Embla e Midgard foi seu lar. Deles descende a humanidade.





Abaixo de Midgar, o reino dos homens, está Niflheim, o gélido reino da morte. Acima está Asgard, o reino dos deuses, de onde Odin cuida do mundo. Asgard e Midgard são ligados por uma ponte em forma de arco-íris chamada Bifrost. E no centro de todos os reinos esta o freixo gigante Yggdrasil, a árvore do mundo cujos ramos em dão sombra e as raízes o suportam. Yggdrasil possui três raizes: uma em Niflheim, onde a serpente Nidhogg se alimenta dos cadáveres, uma em Asgard onde moram as Nornes - as três velhas que governam o destino dos homens e que  mantém Yggdrasil viva, e uma em Jotunheim, a terra dos gigantes.

Os Deuses



Além dos deuses da Criação, um grande grupo de deuses ocupava o panteão viking. Vigorosos, passavam o tempo todo lutando, comendo e bebendo, abandonando-se em intermináveis festas. Eram sem dúvida um reflexo do povo que os adorava.
Thor é o deus do céu e do trovão, o mais poderoso dos deuses nórdicos. Filho de Odin e da terra,  ele conduz uma carruagem puxada por dois bodes e possui três grandes tesouros: um cinto que dobra a sua força, um terrível martelo, Miollnir, com o qual despedaça seus inimigos e um par de luvas de ferro que ele precisa usar para segurar o martelo. É o guardião sagrado de Asgard e das casas de seus adoradores.
Loki é o deus trapaceiro, filho dos gigantes Farbauti e Laufey e irmão de criação de Odin. Suas brincadeiras causavam problemas e foi ele quem provocou a morte de Balder. Tem três filhos: Fenris-Lobo, a serpente de Midgard que dá volta ao mundo e Sleipnir, o corcel de oito patas de Odin. É ele quem conduzirá os gigantes contra os deuses na batalha final de Ragnarok.
Balder era o sábio e belo filho de Odin e Frigg e o mais estimado dos deuses. Todas as coisas vivas, menos o visco, juraram não machucá-lo. Através da malícia de Loki, Balder foi morto com esse visco por seu irmão, o deus cego Hoder. Após a batalha final de Ragnarok, Balder voltará para liderar a humanidade.
Frigg é a deusa do parto e da fertilidade, possivelmente uma versão Mãe Terra. Esposa de Odin, podia como ele prever o futuro.
Freyja era a deusa do amor, da fertilidade e das videntes, a mais bela das deusas. Sua propriedade mais preciosa é o colar Brisingamen, que ela ganhou dos anões. Transforma-se freqüentemente em falcão e viaja numa carruagem puxada por dois gatos.
Freyr era um deus da fertilidade, irmão de Freyja. Possuia um navio mágico, Skidbladnir que podia acomodar todos os deuses. Apaixonou-se por Gerd, a filha de um gigante. Cortejá-la custou-lhe a espada e porisso vai desarmado para a batalha de Ragnarok.
Heimdall é o vigia de Asgard e Bifrost, a ponte do arco-íris. É ele quem irá soprar o chifre Gjall para assinalar o início da última grande batalha entre deuses e gigantes.
Midgard a serpente é um dos monstruosos filhos de Loki e da giganta Angrboda. Essa serpente rodeia o mundo dos seres humanos e será morta por Thor em Ragnorak.
Nornes são as três deusas do destino que regam as raízes de Yggdrasil. Seus nomes são Urd, Skulk e Verdandi e significam Destino, Ser e Necessidade.
Tyr é o deus da guerra. Sacrificou sua mão esquerda enquanto amarrava o Fenris-Lobo com o grilhão mágico Gleipnir, feito pelos anões.
Valquírias são guerreiras filhas de Odin. Esperam os guerreiros mortos no Vahalla. Cavalgam para as batalhas concedendo vitória ou derrota, conforme a vontade do pai.

Ragnarok - Uma visão do fim do mundo



Como todos os povos, os vikings tinham sua própria visão do fim do mundo, o qual acontecerá numa batalha chamada Ragnarok, que eles chamavam idade da espada, do vento, do machado. A lenda diz que Fenris-Lobo se libertará de seus grilhões e com as mandíbulas abertas lutará ao lado de Surt e Midgard, a serpente, que por sua vez espalhará veneno por toda terra e todo o mar. Então, Heimdall tocará seu chifre a os deuses se dirigirão para a batalha. Thor destruirá a serpente mas cairá morto por sue veneno. Odin será engolido pelo Fenris-Lobo e seu filho Vidar, como vingança, partirá o lobo ao meio. Heimdall e Loki se destruirão mutuamente. A terra será submergida pelo mar e o sol escurecerá, enquanto o céu queima e as estrelas caem. A morte alcançará a todos: deuses, gigantes, anões, homens e mulheres.
Mas dois, Lif e Lifthrasir, escondidos em Yggdrasil se salvarão. Serão alimentados pelo orvalho da manhã e  a partir deles a humanidade renascerá. Balder e Holder, filhos de Odin, voltarão a viver, enquanto que os rios se encherão novamente de peixes e os campos de trigo. Os humanos encontrarão na grama o tabuleiro de ouro onde os deuses jogavam seus jogos e, admirados, lembrarão de Odin e dos palácios dourados de Asgard.


Runas - O Alfabeto Mágico dos Vikings


O alfabeto rúnico, considerado mágico, é uma antiga forma de escrita das tribos germânicas introduzidas da Grã-Bretanha pelos invasores anglo-saxões. As runas não se parecem em nada com o alfabeto tradicional e representam tanto palavras quanto sons, em semelhança com o alfabeto hebraico. Há muitos tipos diferentes de alfabetos e letras rúnicas , sendo provavelmente o mais conhecido o Futhark ou Fupark. Esse alfabeto rúnico consiste de 24 runas divididas em 3 grupos de oito, chamados Oito de Freyja, Oito de Hagal e Oito de Tiw. A seqüência do Futhark foi encontrada no século V gravada numa pedra na Suécia. Achados arqueológicos deixam claro que o alfabeto germânico original possuía 24 runas, mas o antigo alfabeto rúnico inglês aumento para 29, memso número de runas seguidas de verso no famoso Poema Rúnico inglês. Há também evidencias de um acréscimo posterior de mais quatro runas, perfazendo um total de 33.
Enquanto o alfabeto rúnico inglês foi ampliado o escandinavo passou por várias reduções, terminando por contar com 16 runas. Essas dezesseis aparecem tanto no Poema Rúnico islandês como no norueguês. Os poemas rúnicos podem ser considerados a forma usada para auxiliar a memorização do significado das runas, que caíram em desuso pela introdução do latim. Os versos do Poema Rúnico norueguês dão ainda uma imagem crítica da sociedade e ambiente em forma de aforísmos, enquanto que o Poema Rúnico inglês é considerado descritivo.
Enquanto que origem histórica das runas é obscura, sua origem mitológica é bastante conhecida: conta a lenda que foram descobertas pelo deus Odin, descrito como um homem alto, magro, vestido com uma longa capa. A face de Odin é dura; tem apenas um olho fixado à distância. Seu outro olho é coberto por um chapéu mole de abas largas. Traz consigo um ramo de abrunheiro e é acompanhado por um corvo e um lobo. Afirma-se que Odin obteve o conhecimento das runas por um ato de supremo sacrifício: permaneceu suspenso por nove dias e nove noites em Yggdrasil, empalado por sua própria lança para obter a sabedoria proibida. Ao final do nono dia, olhanto para baixo Odin encontrou as runas. Bebeu também do caldeirão da inspiração do deus Mimer e o preço que pagou pela sabedoria foi a perda de um olho. Na antigüidade as runas eram lançadas pelos xamãs. Hoje, aquele que lança as runas é chamado runemal . As runas podem ser usadas como oráculo, pois cada uma trás uma mensagem que pode ser usada na arte divinatória.

Significado das Runas do alfabeto Futhark

Mannaz - Homem, o Eu - Refere-se a raça humana ou a um membro da tribo. Sugere modéstia e devoção, receptividade à vida e quietude, alegria por executar suas tarefas.
Gebo - Associação - Refere-se a uma oferenda aos deuses. Sugere casamento ou consolidação de relações antigas, uniões igualitárias onde exerce-se a dádiva da liberdade.
Ansuz - Mensagens, Sinais - É a runa do Deus Loki ou de Odin. Sugere o recebimento de mensagens, o dom da comunicação, sabedoria através do contato com os deuses.
Othila - Separação, terras ou propriedade herdadas. Sugere um época de caminhos separados, rupturas radicais, desistências. Também aquisições imobiliárias.
Uruz - Força, o Boi Selvagem. Significa término e novos começos. Sugere força, boa fortuna e progresso, mas para isso pede a morte de formas antigas, renovação.
Perth - Iniciação, Assuntos secretos - Essa runa pende para o desconhecido. Sugere forças poderosas em ação, renovação do espírito, ganhos materiais inesperados.
Nauthiz - Sujeição. A necessidade que levava os vikings  praticar feitos impossíveis. Sugere necessidade de lutar, precaver-se. Hora de restaurar o equilíbrio, perseverar.
Inguz - Fertilidade, os Novos Começos - Esta associada a Ing, o Herói-Deus. Sugere harmonização das relações pessoais, novo caminho, livrar-se da rotina, abrir-se aos céus.
Eihwaz - Teixo, Poderes Preventivos. Associada as varetas de adivinhação. Sugere paciência, perseverança e previsão. Atrasos, obstáculos e desconfortos são possíveis.
Algiz - Proteção, a Runa do Alce - Mantinha invasores afastados das propriedades. Sugere controle das emoções, novos desafios e oportunidades, novo trabalho, proteção.
Fehu - Bens, Gado. A moeda corrente dos tempos antigos. Sugere plenitude, ambição satisfeita, recompensas recebidas. Desfrutar e partilhar a boa sorte.
Wunjo - A luz, Alegria - Um galho com frutos. Sugere nova claridade, restauração, recebimento de bênçãos, hora de dedicar algum tempo a si mesmo,contentamento.
Jera - Colheita, Um Ano - A estação da fertilidade. Sugere o cultivo cuidadoso do que foi plantado, encorajamento para o sucesso, paciência na espera dos resultados.
Kano - Abertura, Fogo, Archote - Símbolo da adoração ao sol. Sugere abertura, claridade, liberdade, dar e receber sem restrições, abertura nos relacionamentos, seriedade.
Teiwaz - Energia do Guerreiro, Deus Tiw - Runa protetora de escudos e espadas. Sugere moldagem do caráter, perseverança, coragem, dedicação, motivos corretos, maturidade.
Berkana - Crescimento, Renascimento - Um ramo de bétula. Sugere época de crescimento, paciência, , generosidade, modéstia, tenacidade, atitudes corretas.
Ehwaz - Progresso, Movimento - Um cavalo - Sugere transição, movimento, novos lugares, novas atitudes, moradias, nova vida. Crescimento e mudanças em relacionamento.
Laguz - Fluxo, a Água - Líquido do ventre da Grande Mãe. Sugere satisfação das necessidades emocionais, despertar da intuição, o final feliz dos contos de fada.
Hagalaz - Granizo, Forças Destruidoras - O clima frio das terras do norte. Sugere a desintegração que precede o despertar, cair em si, mudança, libertação da psique.
Raido - União, Reunião, Comunicação - Jornada no dorso de um cavalo. Sugere cura pessoal, automodificação e união. Viagem trazendo felicidade. Viagem da alma.
Thurisaz - Portal, Lugar da não-ação - O Deus Thor. Um cetro de abrunheiro. Sugere trabalho a ser feito, parada diante de um portal, desfazer-se do passado, revisão.
Dagaz - Transformação, o Dia - O dia em que o sol está mais poderoso. Sugere transições radicais, período de realização, prosperidade, mudança da rotina, época de transformação.
Isa - Imobilidade, Aquilo que impede - O Gelo do norte do mundo. Sugere atividades úteis congeladas, suspensão dos planos, inverso espiritual, sacrifício pessoal.
Sowelu - Integralidade, Forças Vitais - A energia do Sol. Sugere impulso para auto-realização, retirar-se, recuo oportuno, acautelar-se, buscar a integralidade.

Os povos “bárbaros” da antigüidade - entre eles os vikings - celebravam festivais anuais em comemoração as passagens das estações do ano. Tais festivais, entre os vikings chamados de Festivais da Luz, tinham como objetivo agradecer e incentivar a mãe natureza a continuar produzindo grãos e concedendo fertilidade aos animais.
Um dos mais importantes festivais acontecia no começo do inverno e ainda hoje é comemorado em torno do solstício, 21 de junho. É conhecido como Festival de Yule, Ritual de Inverno ou  Alban Arthan. Sendo o solstício de inverno a noite mais longa do ano, no hemisfério sul o catolicismo transformou esse festival pagão em noite de São João e no hemisfério norte, onde o solstício acontece por volta de 21 de dezembro, no Natal.
Em toda a Europa primitiva, cerimônias agrárias presididas por um deus barbudo e atarracado ocorriam durante os doze dias que sucediam a abertura dos portais do norte, 25 de dezembro. Por ser esse o Festival de Renascimento do Sol, durante esses dias imobilizavam-se todas as rodas, pois as representações do sol deviam ser imóveis. Nos calendários rúnicos da antigüidade, o dia 25 de dezembro era caracterizado por uma roda, que além de representar o sol representa a Roda do Ano, ou seja, a grande roda das estações. Nessa roda, os ciclos das estações são entendidos como os processos de nascimento, crescimento, morte e renascimento de todas as coisas vivas sobre a terra, incluindo o homem. Num drama sagrado, o paganismo mitificou esses processos através da relação da Grande Mãe e da Criança Divina (o deus Cornudo) com a Roda do Ano.
A proximidade do inverno é um período em que a Criança Divina encontra-se no útero da Grande Mãe. Lê-se em Spiral Dance: “Ele dorme em seu ventre e em seus sonhos Ele é o Senhor da Morte que rege a Terra da Juventude. Sua sepultura torna-se o útero do nascimento, pois no meio do inverno a Deusa dará novamente à luz a Ele.” Durante toda a noite do solstício, a mais longa do ano, espera-se o nascimento da Criança Divina, o que acontece ao amanhecer, quando o sol nasce. Diz-se então que o Sol Espiritual (o deus Cornudo) renasceu da escuridão e vem para governar a parte escura do ano - o inverno.
A festa católica que acontece por volta do solstício (no hemisfério norte, local de origem dos festivais) é o Natal e representa o nascimento do Sol Espiritual do catolicismo, Jesus.
Nas comemorações do Yule queima-se carvalho ou acende-se velas vermelhas gravadas com símbolos solares. Os antigos penduravam nas portas o visco e o azevinho, possível  origem dos enfeites de porta do Natal. Enfeitavam ainda árvores com símbolos mágicos para representar os deuses solares - na versão católica, a árvore de natal - e ofereciam presentes sagrados aos deuses - origem dos presentes de Natal. Seus alimentos eram o peru, os bolos de frutas , a gemada e o vinho quente. Para os escandinavos, Santa Claus foi o Cristo na Roda, antigo título para o deus nórdico do sol. Ainda hoje, o deus referenciado nesse Festival é Freyr, o deus viking ligado a paz e a prosperidade.

Freyr ou Jesus, todos os deuses são um só. Alegremo-nos por saber que, não importa qual sejam nossas crenças, em todos os solstícios o Filho da Luz renascerá. Abençoado seja!

Fonte: Mara Barrionuevo para o jornal O Exotérico


Referência bibliográficas:

Spiral Dance - Starhawk
Os Vikings - Gilles Ragache
O Livro de Runas - Ralph Blum


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